Mana Raninha em Pemba

20 April 2005

Depois de uma malária nada melhor que ir ao Kruger Park...




Pois é, mais uma vez com sorte! Sou mesmo uma missionária da tanga.... Depois de 2 meses a viver nas mesmas condições dos moçambicanos com falta de água, comida não muito variada (arroz, massa, feijão, matapa e tomate) e ainda depois de 2 semanas de uma malária assim para o forte, dou por mim em pleno Kruger. Nada mal! Adorei, dá a sensação de estarmos dentro de um daqueles documentários do national gheografic.
Fiquei instalada neste quarto! Um bocado diferente do que estava habituada na casa dos voluntários e na casa azul....
Vi girafas, bufalos, elefantes, um leão morto (mas também conta...), impalas, zebras, kudus....e mais uma data de bichos.

15 April 2005

Diário de uma malária XXX


Depois de 4 dias sem comer e com febre 24h por dia em que a temperatura mais baixa era de 38,5ºC, fui internada no hospital de Pemba. O hospital de Pemba à primeira vista é um horror! Duas pessoas na mesma cama, doentes espalhados pelo chão e em todos os cantos possíveis, sem a menor noção de higiene, enfim bem pior que o pior do nosso Portugal. Mesmo assim ainda fiquei num dos melhores quartos do hospital que acredito que muitos brancos não ficariam. Mas tudo é uma questão de hábito, confesso que agora até acho o hospital razoável, bem melhor que muitos centros de saúde das vilas do mato.
Mas nós, brancos, tivemos a sorte de nascer do ventre de uma mãe que mora num país desenvolvidíssimo (os standards aqui mudam...). Esta sorte que tive nunca a entenderei. Podia perfeitamente ter nascido de qualquer mãe africana do mato e ter a vida que elas têm mas isso não aconteceu...Assim tive o privilégio de, durante a doença, ter os meus pais comigo e ter ido para o Maputo para o Instituto do Coração, um hospital todo XPTO. Que bem que soube ter os paizinhos queridos comigo quando tava doente, que bem que soube ter uma cama e um lugar limpo, que bem que soube comer nutrientes de toda a espécie e feitio, que bem que soube um chuveiro, que bem que soube ter médicos e enfermeiros que o pareciam à séria, que bem que soube a sorte de poder ter tido tudo isto...
Só quando vemos o pior é que começamos a dar valor a tudo o que temos. Quando vivemos o pior ainda aprendemos a dar melhor esse valor. Em Portugal nunca tinha pensado antes na sorte que é ter, por exemplo, um médico para nos examinar... a hipótese de poder fazer uma análise de sangue viável, de ter uma casa-de-banho limpa, sei lá, tanta coisa.

Nas fotografias já me podem ver no bem bom. Também podem ver as crianças do Instituto do Coração (onde fiquei internada), todas vindas de vários lugares de Moçambique e à espera de uma equipa de médicos voluntários para as operarem. São crianças com sorte porque operações ao coração, para quem vem do mato é um mito.

02 April 2005

O começo de um malária....



Alergia nas pernas: pode ser malária!

Pois é, o que vêm na fotografia é um luxo. Uma vez por semana dávamo-nos ao luxo de jantar pão com queijo. Ninguém sonha o bem que sabia. Neste dia ainda tive mais um extra, uma pequena dose de comprimidos que me disseram para tomar, pouca coisa... só o suficiente para ficar 2 dias de cama a morrer de dores de estomâgo.

Dores de estômago: pode ser malária!

Talita Kum - Levanta mulher



A casa Talita Kum acolhe jovens até aos 17 anos durante a sua gravidez quando a família não tem condições para sustentar a menina ou quando a família e o pai da criança rejeitam a menina por estar grávida (acreditem que é muito comum)

Na casa as meninas além de um tecto e de comida ainda têm actividades diversas como pintura, datilografia, costura, etc...