17 May 2005
Casa Azul



A casa azul acolhe crianças com deficiências. Aqui no norte as pessoas não têm qualquer cuidado com as crianças doentes, muitas vezes até as deixam de alimentar só para que morram mais rápido. Assim surgiu a ideia de criar este lar. Neste momento temos lá crianças com hidrocefalia, mongolismo e outras doenças que não sei ainda ao certo o que sejam.
É aqui que passo as minhas tardes durante a semana e ADORO! Nem sempre é fácil estar aqui com estas crianças tão doentes mas é exactamente o desafio e a dificuldade de me adaptar à naturalidade de estar com crianças assim que torna este trabalho tão especial. Se vissem o sorriso de cada uma delas entenderiam o que me dá força para estar aqui e estar com gosto.
Neste momento o que faço é um trabalho no sentido de estimular estas crianças. Aqui na casa Azul elas recebiam carinho, atenção e uma alimentação mais complecta do que poderiam alguma vez receber nas suas casas. Mas, apesar de muitas destas crianças não terem muita esperança de vida, reparámos na necessidade de mesmo assim ir tentando estimulá-las, puxar por elas para que tenham uma vida o mais próximo do normal possível. Com algumas temos tido muitos bons resultados mas com outras é mais complicado porque também têm problemas mais complicados, mas mesmo essas devolvem-nos sorrisos em troca do nosso esforço o que é uma recompensa tão tão boa que é difícil descrever.
Mas muitas vezes o trabalho da Casa Azul acaba por ser só ESTAR. É muito importante aqui o estar com as pessoas. O facto de nos sentarmos com elas para ficar ali um bocado com elas é uma coisa de uma importancia enorme. E isto é uma coisa muita engraçada de se fazer e é mesmo preciso arranjar tempo só para estar com as pessoas. Ás vezes nem sempre é fácil porque vemos o tempo a passar e queremos deixar sempre o “trabalho feito” antes de ir embora. Mas é preciso saber parar, saber ver que para eles é mais importante eu estar sentada com eles a conversar e principalmente a ouvi-los do que a preparar grandes projectos que eles muitas vezes nem entendem o que são ao certo. Comecei a ver isso quando voltei este ano para pemba e comecei a reencontrar todas as pessoas que conheci em 2003. Foi muita giro porque cada uma delas se lembrava dos tempos mais breves em que tinhamos estado juntos, mas a maioria nem sabia no que tinhamos trabalhado...isso para eles não é importante.
A mim custou um bocado entrar neste ritmo porque ao ver a quantidade de coisas que estas pessoas necessitam e toda a pobresa em que vivem, é inevitável nós querermos entrar em acção e executar projectos. Só que é preciso ter a consciência de que, infelizmente, não podemos ajudar todos da maneira que gostaríamos. E isso não é mau, isso só me veio ensinar que o que estas pessoas precisam não é aquilo que eu acho que elas deveriam ter só porque eu estou habituada a ver as pessoas a viver com mais. Aqui eles gostam de companhia, eles gostam de ser ouvidos, eles gostam de sentir que nos importamos com eles. A única coisa que precisamos de dar é o nosso ouvido e o nosso sorriso.
É por isto que muitas vezes na casa azul aproveito para ficar a conversar com as titias, a brincar com elas e com as crianças. E custou realizar que esse trabalho é tão ou mais importante que ficar 2 horas a ensinar as letras ou as cores ou a dar formações...
13 May 2005
11 May 2005
Serões a trançar


Um dia por semana as Irmãs dão uma tarde às miúdas para elas se trançarem. Ou seja cada semana cada uma delas faz um penteado diferente e fica com um novo look.
Já nós as brancas não temos muito por onde variar mas mesmo assim ainda dá para fazer umas tranças pouco complicadas porque o nosso cabelo é "mole", "escorregadio", etc...não dá para nada :(
09 May 2005
Domingos

Para quem não o conhece, o Domingos é um miudo que desde 2001 que tem uma ligação muito forte com a equipa d'áfrica. Ele é o nosso irmãozinho mais novo...
Para quem o conhece, já viram como ele tá enorme. Já tá mais alto que eu e tem cara de rapaz, já não é aquela criancinha que andava sempre conosco... Confesso que me sinto velha quando olho para ele e o vejo quase um homenzinho.
08 May 2005
07 May 2005
Limpezas de Sábado


Pois é, não há nada como ter bons hábitos...
Todas as manhãs de sábado são reservadas para a limpeza da casa. Eu limpo o quarto e a Claudia limpa a casa-de-banho.
Sabem uma coisa? Descobri que sou uma menina mimada e mal habituada. Encho o meu quarto aí em Portugal com mil coisas sem me lembrar que limpar o pó de todas essas coisas pode ser uma granda chatice... Todas as manhãs de sábado enquanto limpo o quarto lembro-me da Irene (que trabalha em minha casa). Bolas e lembro-me sempre triste por nunca ter dado valor a este trabalho que ela faz todas as semanas como seu ganha pão sem eu nunca a ter ouvido queixa-se de o fazer. Já para mim isto às vezes custa-me imenso porque tou cansada e não me apetece mesmo nada... Mas por outro lado a pessoa por quem ofereço o dia de sábado recebe sempre um bocado mais que as outras :)
Para ajudar ao sacrifício, aqui em Pemba o conceito de janela é um bocado difernete daí. Elas existem mas como o calor é muito e não há Ar Condicionado (já nem sei o que isto é... mas aida me lembro que existe este nome) as janelas não se fecham e por isso o pó entra às toneladas/dia.
05 May 2005
Serões a fazer e a corrigir testes


Nunca pensei vir a admirar tanto e compreender tão bem os professores que tive.
Isto é uma seca... Tenho praí 300 alunas!
Passo serões à noite no quarto a corrigir testes.
Aí, é tão mau ter de corrogir estes testes e, pior que isso, é desmotivante... tadinhas das minhas alunas, não atinam com o inglês nem por nada mas também não devem fazer muito por isso porque não estudam nada.
É complicado porque por um lado sei que elas chegam a casa e ainda tem um batalhão de filhos para cuidar, um marido que na maioria dos casos as tratam muito mal e muitas não devem ter muito para comer. Por outro lado elas sonham muuuiiito, querem ser "inteligentes", mas não fazem nada por isso.
01 May 2005
Nova casa - Casa Maria Auxiliadora (Salesianas)


Estou de volta a Pemba e vim morar desta vez na Casa das Irmãs Salesianas.
Mais uma casa! Nova adaptação mas desta vez mais soft... Aqui as condições de vida já são bem melhores quer a nível da alimentação, que já mais rica em nutrientes, quer a nível de higiene.
Divido o quarto com a minha amiga Cláudia. Conhecemo-nos aqui mas em missão e longe de toda a nossa a vida as amizades crescem mais rápido e mais fortes. Vivemos ainda com 3 Irmãs e com 10 miúdas que as irmãs recebem cá em e ajudam.
Em 2003 achava a vida nesta casa um abdicar de todos os luxos de portugal. Agora esta casa é para mim O grande luxo. Tenho aqui tudo o que preciso.
E até já tenho o meu quarto personalizado... hehe










