Mana Raninha em Pemba

29 July 2005

Ilha de Moçambique II - Mergulhos em mil poses..

E assim nos vamos entretendo....



28 July 2005

Ilha de Moçambique I - de repente no luxo....

Isto sim são férias.....

De repente aqui nos vemos nós, 5 voluntárias que estão à quase 6 meses em Moçambique, nesta casa em cima do mar com um varandão virado para o mar, empregados para tudo e a liberdade de poder fazer o que nos apetecesse. Que sonho!!!
Nem sonham como adoro estar nesta ilha!!













A "nossa" casa
Vista da Varanda













O pequenos almoços de luxo com o ritual de bater os Ricofee's!!!

As 5 missionárias de Férias, hehe...





Os fins de tarde no varandão, que descanso....

05 July 2005

Angelina! Uma das muitas histórias que aqui me marcaram profundamente... (vale a pena lerem!)


Por volta dos fins do mes de Junho a vida desta criança cruzou a minha de uma maneira que me marcou imenso. Vou tentar contar como tudo aconteceu.

Aí por volta do mes de junho numa manhã de terça-feira fui, como sempre, ao Centro Dia para a reunião da manhã. Essa foi uma reunião diferente das outras porque se falou numa história muito triste. Era sobre a neta de uma das senhoras que é apoiada pelo centro dia que se acreditava ter sido vítima de alguns abusos sexuais e agora estava com uma infecção grande na zona ginecológica. A infecção era tão má que as senhoras que contavam a história, bem ao estilo moçambicano, diziam que ela agora estava quase podre... Essa menina era a Angelina, de 11 anos apenas, e o homem que tinha estado com ela andava nos seus 50 anos.
Bem nesse dia saí do centro dia num silêncio absoluto, chocada com esta história. Não me saía da cabeça a pergunta: “Como é possivel tamanha crueldade? 11 anos.... ela é uma criança.”
Nos dias seguintes não consegui tirar da cabeça esta história. Pensava muito em como devia estar esta criança, em como às vezes a vida é tão dura para algumas pessoas.
Mas a história não ficou por aqui... Uns dias mais tarde a menina foi trazida para a Casa S. Francisco, onde mora a Laura e a Teresa, e a Aba levou-a ao hospital para fazer análises. Estas revelaram que aos 11 anos a Angelina já tinha sida. Além disso estava com uma sarna tão horrível que os próprios médicos recearam tratá-la. Quanto a abusos sexuais acabámos por ficar sem saber se realmente tinham acontecido ou não pois o sida também pode ter vindo da falecida mãe.
Então a Aba trouxe-a de volta à casa S. Francisco e tratou dela sozinha com os maiores cuidados e uma dedicação enorme, tal como exige a sarna. Não consigo imaginar como terão sido esses dias para a Aba porque se eu, que ainda nem tinha visto a cara da menina, já vivia muito perturbada com a sua história, para a Aba então que tinha tinha de lhe sarar as feridas deve ter sido duro, muito duro.
Estas coisas são difíceis de entender. Mas aqui em moçambique há mais mil histórias como estas e a única coisa que nos dá força aqui para encarar de frente todas estas situações é, sem dúvida, a fé. É saber que Deus está conosco e entregarmo-nos totalmente a Ele para que passar por isto faça sentido. Só mesmo Nele é que conseguimos encontrar forças. Sem Ele seria muito complicado manter a serenidade e a calma para nos entregar-mos a estas pessoas sem deixar que a revolta nos domine.

Mas numa bela sexta feira encontrei a Aba a ir com as crianças para a praia e resolvi juntar-me ao grupo. Foi então que vi pela primeira vez a Angelina. Que sensação tão estranha.... ela é uma criança, com uma cara amorosa, inocente... Nesse dia tive de fazer um esforço por controlar os meus sentimentos. Tinha de me controlar para não ficar parada a olhar para ela, sem acreditar em como era ainda tão pequena, tão bonita... Como pode a vida já ter sido tão cruel com ela?
Foi uma sensação mesmo estranha, mesmo forte porque, ainda por cima, não estava à espera de a encontrar. Graças a Deus, e à Aba, ela já estava quase boa da sarna e se eu não conhece-se já a sua verdadeira história nunca me passaria pela cabeça que ela já tivesse passado por tudo o que passou porque aos olhos de qualquer um que não saiba, ela parece uma criança igual às outras, que ri, que brinca, que fala, que se porta mal, enfim como todos os outros..É ainda uma criança bolas.....

Depois desse primeiro encontro tentei estar algumas vezes com a Angelina. Tentei passar alguns momentos com ela e isso ensinou-me muito, aprendi mesmo muito com ela. E por isso gostava de partilhar com vocês o que de melhor recebi da Angelina: o seu sorriso!

Já reparam no seu sorriso?

São sorrisos como este que me fazem ganhar os dias aqui. Não consigo descrever a sensação boa que é conseguir fazer sorrir uma criança que já foi vítima de abusos sexuais, que não tem mãe, que tem um pai que desde que soube da sua doença nunca mais apareceu senão para pedir dinheiro e principalmente uma criança a quem já foi tirada a hipótese de vir a crescer um dia e de se tornar adulta.
Mas apesar de já ter passado por tudo isto, de já ter vivido uma vida tão dura, ela continua a saber sorrir.
Foi tão espectacular poder partilhar momentos de alegria com ela!!
Gostava de conseguir descrever como às vezes foram fortes os momentos em estive com ela. Ao mesmo tempo também foram um bocado estranhos porque muitas vezes até me esqueçia de toda a sua verdadeira situação e quando isso me voltava à cabeça é que me lembrava que ela nunca virá a ser adulta, que já não tinha a menor hipótese de vir a crescer e ter uma vida normal. Mas saber isso também tornou mais intensos os momentos em que passei perto dela porque não sabia como ia ser o amanhã e por isso tentei aproveitar bem o hoje para poder partilhar com ela um bocadinho de alegria.

Com a Angelina aprendi a deixar de ver a Sida como uma estatística. As estatísticas, tratando-se de números, tiram-nos um bocado a realidade cruel que cada uma dessas pessoas carrega às costas. Agora custa-me olhar para a Angelina e ver que, para muitos, ela é só mais um número a acrescentar a essas estatíticas. Ela é muito mais do que isso, ela é ainda uma vida!

Agora já alguns meses se passaram e a Angelina teve de voltar a morar com o pai. Há algum tempo que não a vejo mas todas as semanas sei notícias suas que me magoam brutalmente porque aqui a grande maioria das pessoas não acredita que “ o sida” mata, e por isso muitos acabam por não fazer os tratamentos. Sei que o pai não a leva ao hospital para tomar os comprimidos e pior é que nós não podemos fazer nada porque a filha é dele. Já tentamos milhares de vezes explicar-lhe o que se passa, a gravidade da doença, tentámos acompanhá-lo com a menina ao hospital, mas eles não querem. Custa horrores ver coisas como estas acontecerem e nós não podermos fazer nada, porque não podemos mesmo. Tudo o que estava ao nosso alcance tentámos mas também não os podemos obrigar.

Por isso agora é esperar. Até agora a única coisa que sei é que ela ainda brinca porque sempre que vai lá a tia Consolata (que trabalha no centro dia) a encontra feliz e a brincar.

Agora cada um tente tirar desta história uma lição para si mesmo. Como esta existem mais mil outras histórias tristes e ao mesmo tempo alegres que me vão aparecendo diariamente. Esta foi só uma delas que achei importante contar. Eu aprendi muito com esta miuda mas acredito que a lição que tirei ao cruzar-me na sua vida não deve ser igual à que voces podem tirar ao ler estas linhas muito mal escritas. Só gostava é que isto não vos passase ao lado, indiferente. Adorava ser capaz de contar todas as outras coisas que vejo e vivo aqui para verem como o mundo pode ser também tão diferente daquilo que estamos habituados a ver mas infelizmente não dá, eu não tenho tempo para as escrever e voces não têm tempo para as ler...

03 July 2005

Fim de semana na Casa S. Francisco.















Como devem imaginar os fins de semana com estes miudos todos em casa não são fáceis de gerir. Normalmente a Aba leva-os para a praia ao sábado de manhã e eu,quando posso porque as manhas de sábado são para a limpeza da casa, também vou. O resto do tempo tentam-se inventar coisas para fazer...

Eles aqui têm menos brinquedos do que as crinças de outros continentes (para não dizer que não têm nenhuns...) mas têm a mesma imaginação que qualquer criança do mundo e por isso nunca faltam brincadeiras:)

Ah, é verdade, também lhes tenho levados desenhos e lápis para pintarem (dos que me deram). Eles adoram e ficam sossegados enquanto estão a pintar mas não dura muito... :(
Só aguentam um bocado assim sossegados depois já dispersam e começam com as correrias de sempre. Uma canseira....

As crianças da Casa S. Francisco




António

Suati












Laurinha e Assani

Mussagi











Lulu

Utassia e Matassia (são gémeas...)











Namodja










Estas são algumas das crianças da Casa S. Francisco. São crianças que nos chegam ou doentes ou vindas de famílias que não têm mesmo quaisquer condições. Aqui elas vivem com a Laura e a Teresa.

Eu practicamente vivi com elas nos primeiros tempos porque era lá que passava todo o meu dia. Todas as refeições eram com eles e o poiso do dia era lá. Animava lá estar apesar de às vezes ser um bocado cansativo porque não tinha nem 5 minutos de descanso porque em todos os tempos livres tinha sempre as crinças em cima de mim. Era um desafio diário. Não é fácil cair de pára-quedas numa realidade tão diferente, viver nas mesmas condições que eles e não ter tempo para assimilar todas as vivencias do dia-a-dia e tentar entende-las. Havia alturas em que não me apetecia nada estar com todas as crianças em cima de mim mas por outro lado eu estava nesta nova realidade exactamente para me entregar a pessoas como essas crianças que me pediam a minha atenção. Então entrei numa luta interior comigo mesma porque achava que não aguentava mais aquele ritmo mas o que é giro é que no primeiro mes não consegui mudar esse ritmo e isso, juntamente com todas as outras coisas que vivia ao mesmo tempo nessa altura e que eram bem duras por causa da falta de condições, ajudaram-me a aperceber-me do quanto estava longe de conhecer os meus limites. Sempre consegui arranjar mais forças do que aquelas que achava ser capaz de ter. Foi uma altura em que a minha família e os meus amigos foram muita importantes para mim e em que senti mesmo o poder da oração na minha vida. Sem a oração e sem a ajuda de Deus sei que não conseguiria ter levado tudo para a frente. É mesmo nas alturas mais duras que nós crescemos e aprendemos.

01 July 2005

Um típico dia de trabalho...

Aulas

Praia do Wimby
Casa Azul

Casa Azul

Nosso quarto







Supostamente tenho um horário de trabalho bem definido mas raramente o cumpro à risca porque todos os dias é normal aparecer sempre alguém que precisa de alguma coisa e portanto lá se muda o programa. Mas missão é isso mesmo, é disponibilidade para o que aparecer e não para o que nós programamos. Custou interiorizar isto mas agora já tenho bem presente isto dentro de mim.
Bem mas o dia normal seria:
· Aulas
· Praia para nadar um bocado (que quando está maré cheia é este paraiso que veem..)
· Casa Azul
· Minha casa (nem sempre para fazer estas estupidezes....mas às vezes acontece)
· Terço e missa
· Jantar e cama quando por sorte não tivermos nada para fazer depois do jantar